terça-feira, 27 de setembro de 2016

Brisa Suave


A noite se faz presente, com sua linda Lua.
Uma leve e suave brisa, umedece a terra nua.
Deixando tudo mais suave, mais agradável.
Até o ar, se torna bem mais respirável.

Brisa suave, que as plantas umedece.
Espalha um delicioso aroma, que a todos enternece.
Seu doce perfume, se mistura aos das flores.
Tudo isso leva ao idílio, aos amores.

Brisa suave nas noites de luar.
Nos faz sonhar, desejar e amar.
Ter alguém ao seu lado, para juntos pensar.
Em grandes façanhas e elas realizar.

Brisa suave traz recordação.
Afasta qualquer solidão.
Se torna presente, o amor a paixão.
Que mexe com qualquer solitário coração.

Brisa suave, numa noite de luar.
É um convite para qualquer um, para amar.
Para a solidão, num canto deixar.
E a paixão, com sofreguidão se entregar.


autoria: Lindamar C. Cardoso de Mello

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

"O Vôo da Borboleta"

Hoje eu me encontrei...
Olhei para mim e não te vi.
Você não estava mais em mim.
Entendi que era eu, me despedindo de você...
de um sonho que acabou para mim...
de um passado que ficou para trás.
Sinto que é hora de voar...
Como uma borboleta, eu estou me desfazendo de
um casulo que me prendeu por um longo tempo...
Um casulo de sonhos que nunca se realizaram...
de longas esperas...por momentos que não vieram...
de desejos contidos...por um amor que não existiu...
Estou em metamorfose...
Mudança de sentimentos...
Metamorfose da alma...e do coração.
Me preparo para voar...
Me vejo ganhar asas...
Me despedindo de você...
Me despedindo da saudade...
Me despedindo do passado...
Me despedindo das lembranças...
e de tudo que senti.
Agora o casulo é seu...
Deixo para você todas as lembranças
da mulher que eu fui.
Deixo para você a saudade dos momentos...
a espera pelo que não veio...
os desejos contidos...
e o sonho não realizado...
é tudo seu...
Fique com todas as lembranças
da mulher que tanto te amou...
que te desejou com toda a força da alma...
e que foi tua, mesmo sem te ter...
Fique com tudo,
pois já não há mais lugar para isso dentro de mim...
Mudei...me transformei...
Metamorfose da alma...
Estou me libertando...
Me sinto pronta para voar...
Agora estou livre...
Livre de tudo o que me prendia ao passado...
Uma nova mulher surgindo dentro de mim...
Está sorrindo...está em paz...está Feliz!
Eu olho para ela e vejo que sou eu!
Sou eu como antes...
Sou eu voltando...
Sou eu mesma...
De volta para mim...


© Lisiê Silva

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Não sou Santa

Sou rio que corre manso e sereno
Perde-se em ciclo num mar bravio
De sonhos em versos reeditados
Que acarinham meus bichos no cio.
Sou fogo predador, fêmea visceral.
Sei tecer intimidade com a solidão.
Sou clareira constantemente aberta.
Alma presa nos versos e na canção.
Acovardo-me às vezes diante do nada.
Se recuo e avanço é pra me proteger.
Visto-me de festa, inauguro guardados.
Num olhar de mormaço posso me perder.
É na luz do luar que tudo aflora.
Madrugada indecifrável, lampejos.
Aí sou rio que sem represas flui livre.
Guardiã destemida dos próprios desejos.

autoria: Glória Salles

terça-feira, 6 de setembro de 2016

"Alma Criança"


Eu hoje acordei criança
peguei meus longos cabelos
com eles fiz duas tranças
de frente para o espelho
até ensaiei uma dança
Embarquei numa viagem
de volta a minha infância

No caminho revi valores
que vão ficando esquecidos
a alegria e a vibração
de cada momento vivido
Como se único fosse,
como se fosse infindo

A inocência das palavras
A pureza da ação
O sentimento verdadeiro
e sua espontânea expressão

Um franco sorriso aberto
Gargalhadas em profusão
O choro inevitável
que frente à decepção
extravasa a emoção
ficando a alma lavada
e aliviando o coração

Na volta desta viagem,
não regressei sozinha
reencontrei a alma criança
que comigo sempre esteve
desde o início do caminho

Vou celebrar a criança
e a ela agradecer
o tanto de ensinamento
que por toda a minha vida
não posso e não devo esquecer!


Tahyane Rangel

domingo, 4 de setembro de 2016

"Solidão Interior"


Solidão interior.
É quando você sente
que este não é o teu lugar.
Não é o teu tempo...
Não é o teu mundo.
É sentir saudades de alguém
que você não conhece.
É quando mesmo acompanhado,
você se sente sozinho.

Solidão interior.
É sorrir e sentir-se triste.
É quando os teus dias passam devagar.
É quando você se encontra na
escuridão das noites, sem ninguém.
É quando você desabafa ao vento
e ele desmancha tuas palavras no ar.

Solidão interior.
É quando você tem milhões de sentimentos,
mas se encontra no vazio.
É quando você sente a dor de não
viver um amor e o teu coração grita.
É quando você quer amar,
mas não encontra a outra metade da tua alma.

Solidão interior, é quando você
começa a acreditar que o amor
é apenas uma fuga...
para quem não sabe viver só...

© Lisiê Silva

sábado, 3 de setembro de 2016

"Silêncio"



Silêncio do riso abafado
Do canto chorado
Do choro contido

Silêncio do beijo negado
Do amor abortado
Assim sem aviso

Silêncio dos sonhos sonhados
Tão dilacerados
E por fim esquecidos

Silêncio da aridez permanente
Que trinca meu chão
De maneira pungente

Silêncio do calado tormento
Que se instala nas fibras
Do meu pensamento

Silêncio das asas caídas
Que me fazem prisioneira
Do ponto de partida

Silêncio do abismo que separa
Aquilo que sou do que quisera eu ser
Se me fora dado escolher

Silêncio eternamente sublimado
Do não manifesto pedido de amor
Que me permita ao menos uma sobrevida

Silêncio enfim
Da criança perdida
Vivendo no meio de gente crescida

Silêncio...
 
Fátima Irene Pinto

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

"A Voz do Coração"

Se meu coração falasse
Diria da ventura suprema de estar envolto em amor
Se meu coração falasse
Diria quanto dói a saudade de um ex-amor
Se meu coração falasse
Diria quanto pesa a angústia de uma injustiça
Se meu coração falasse
Seria o melhor poeta
Diria da beleza de uma rosa
Da paz de um sorriso infantil
Da graça de um beija flor
Se meu coração falasse
Provavelmente seria um arauto da parceria
Um profeta ensinando-nos o Paraíso
Um seresteiro, um poeta, um trovador!
Se meu coração falasse
Certamente cantaria doces canções exaltando os casais
Conversaria em linguagem própria com os animais

Diria versos às flores
Faria dueto com as águas do rio a correr
Diria carinhos ao Sol e às Três Marias
Se precisasse da escrita para se comunicar
Escreveria colorido
Talvez em vermelho paixão
Ou em prata que pegaria das noites de luar
E quem disse que ele não arranjou um jeito de falar?
Diz amo você com meu olhar
Entoa ternuras quando me ponho a cantar
Reveste-me de verdade crua quando estou a poetar
Pena que sua voz é baixinha
E nem todos podem ouvi-lo!
Só os amantes possuem o poder de escutar
A doce e meiga voz do coração...
Privilégio dos amantes, então... 
autoria: Magda Almodóvar